Porta-retrato
Recordo-me da primeira porta que vi, era uma porta fina e branca, que me separou de minha mãe pela primeira vez.
Desde então comecei a reparar em todas as portas, portas de garagem, portas de lojas, portas de armários e principalmente portas de casas.
As portas são como retratos, diretamente proporcionais aos seus donos. Imagine, por exemplo, as portas das cadeias... Não são contínuas e sim em barras, cada barra representa um crime, um dia, um mês, um ano que se contabiliza nas mentes fétidas dos criminosos, ou até mesmo as portas dos bancos, são sempre giratórias, assim como o dinheiro lá dentro, que está sempre circulando e movimentando.
É por isso que passo, dias e noites, sentado em bancos de praças das mais pitorescas cidades, onde eu possa ter uma visão periférica de várias portas, na qual consigo idealizar as fisionomias, histórias e aventuras dos donos das portas e concretizo ou desmancho meus palpites após ver as portas sendo abertas ou fechadas pelos proprietários.
Fascino-me com as rústicas portas arcaicas das igrejas católicas e por outro lado, me estresso ao pensar que as praças não possuem portas, mas foi em uma sexta-feira, em uma cidade de Minas Gerais, Ouro Preto, que minha vida estacionou, foi em um olhar de soslaio, finalmente encontrei a porta indecifrável.Até hoje, permaneço sentado no banco, sonhando com essa porta e esperando alguém abri-lá.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
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